O cientista e o ‘inimigo do povo’

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Um médico da comunidade, sanitarista e cientista, descobre que as águas da estação balneária da cidade estão contaminadas. As amostras são analisadas nos microscópios da universidade, já que os micróbios não eram visíveis a olho nu. Frequentadores do balneário, em busca de saúde, estavam ficando doentes. O médico coleta a água e em sigilo envia para a universidade fazer as análises.

Com a evidência científica em mãos, pede que o alerta seja dado a todos e providências públicas sejam tomadas. Ele envia a notícia para ser publicada no jornal local, o que evitará que novos turistas se contaminem. O balneário, que é uma empresa privada S.A., deverá fazer novas obras para captar águas limpas noutro ponto e então reabrir as portas. O diagnóstico e a solução parecem corretos e exequíveis. Mas a posição pró-esclarecimento, favorável à saúde pública, e baseada em evidência científica irá sofrer um forte revés.

A peça de Henrik Ibsen, escrita há 140 anos, é assombrosamente atual. Em cartaz em São Paulo no Teatro Aliança Francesa nos últimos dois meses, a montagem dirigida por José Fernando de Azevedo, professor da ECA-USP, tem como protagonista um ator negro, Rogério Brito, que interpreta com paixão (e razão) o sanitarista Doutor Thomas Stockmann para os dias atuais ? o que introduz ao texto de Ibsen uma nova dimensão de raça, tempo e lugar.

A leitura afrodiaspórica de “O inimigo do povo” não é total novidade, como explica José Fernando: esta foi “a última peça encenada pelo Teatro Experimental do Negro [dirigido por Abdias do Nascimento], em 1963”, às vésperas do golpe militar.
Leia mais (05/06/2022 – 08h00)

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